O que é firestop e por que toda passagem de tubulação precisa de um
Por Equipe Técnica LINK-SEAL

Compartimentar um edifício contra incêndio é criar caixas: paredes e lajes que seguram fogo e fumaça dentro de uma área por um tempo determinado, dando margem para evacuação e para o combate.
O problema é que essas caixas são furadas. Tubulação hidráulica, eletrodutos, dutos de ventilação — cada travessia é uma abertura que compromete a resistência do elemento inteiro se não for tratada.
É disso que trata o firestop.
O que é selagem corta-fogo
Firestop, ou selagem corta-fogo, é o conjunto de soluções aplicadas nas travessias de instalações para restaurar a resistência ao fogo do elemento de compartimentação atravessado.
O princípio é simples de enunciar e exigente de cumprir: se a parede foi projetada para resistir 120 minutos, a passagem de tubulação naquela parede precisa resistir ao mesmo tempo. Uma abertura mal selada transforma uma parede corta-fogo de duas horas num caminho livre para fumaça e gases quentes em poucos minutos.
Por que a passagem de tubulação é o ponto mais crítico
Três motivos se somam:
- É a maior das aberturas. Uma travessia de tubulação de grande diâmetro cria um vazio significativo no elemento.
- O conteúdo se move. Ao contrário de um furo estático, ali existe um tubo que dilata e vibra — o que descarta soluções rígidas que trincam ao longo do tempo.
- Tubos plásticos desaparecem no incêndio. PVC e similares se consomem sob calor e deixam o furo inteiro aberto. Por isso as normas dão tratamento específico a eles.
O que as normas brasileiras exigem
A exigência não é opcional nem tratada como recomendação de boa prática. As instruções e normas técnicas dos corpos de bombeiros estaduais que tratam de compartimentação horizontal e vertical — a IT-09 em São Paulo, com equivalentes como a NT-09 em Goiás e a NT 2-18 no Rio de Janeiro — determinam que quaisquer aberturas em paredes de compartimentação destinadas à passagem de instalações elétricas, hidrossanitárias, telefônicas e outras que permitam comunicação direta entre áreas compartimentadas devem ser seladas de forma a promover a vedação total corta-fogo.
Três pontos práticos aparecem no texto dessas normas:
- Ensaio. As selagens devem ser ensaiadas para caracterização da resistência ao fogo segundo os procedimentos da NBR 6479. Ou seja, exige-se solução testada e documentada — não improviso em obra.
- Tubos plásticos. Tubos plásticos com diâmetro interno superior a 40 mm devem receber proteção especial, capaz de fechar o buraco deixado pelo tubo ao ser consumido pelo fogo, em ambos os lados da parede.
- Integridade da selagem. A destruição da instalação do lado atingido pelo fogo não deve provocar a destruição da selagem.
O tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF) de cada elemento vem da instrução de resistência ao fogo aplicável — em São Paulo, a IT-08. Como as instruções variam entre estados e são revisadas periodicamente, a versão vigente no estado da obra é sempre a referência a consultar.
Vedação hidráulica e selagem corta-fogo não são a mesma coisa
Esse é o ponto que mais gera confusão em projeto.
Uma vedação hidráulica impede a passagem de água sob pressão. Uma selagem corta-fogo impede a passagem de fogo, fumaça e gases quentes por um tempo determinado. São requisitos distintos, e atender a um não implica atender ao outro.
Existem travessias que precisam das duas coisas ao mesmo tempo — a passagem de uma linha pressurizada por uma parede de compartimentação, por exemplo. Nesses casos, a solução tem que ser especificada olhando os dois requisitos juntos, e o composto de silicone é o indicado quando há função corta-fogo envolvida.
Onde isso aparece na prática
Alguns pontos concentram travessias e costumam ser onde o problema é identificado tarde:
- Shafts e prumadas entre pavimentos, na compartimentação vertical
- Salas elétricas e casas de máquinas, com alta densidade de travessias
- Subsolos e garagens, que exigem compartimentação em relação aos demais pisos
- Casas de bomba e barriletes, onde há tubulação de grande diâmetro cruzando elementos estruturais
O que verificar ainda em projeto
Quatro perguntas resolvem a maior parte dos casos: o elemento atravessado é de compartimentação? Qual o TRRF exigido para ele? A solução especificada tem ensaio que comprove esse desempenho? E ela também precisa ser estanque à água?
Respondê-las na prancha evita a situação clássica de descobrir a pendência na vistoria — com a estrutura pronta, as instalações passadas e o prazo do AVCB correndo.
Tem uma passagem de tubulação com histórico de infiltração recorrente?
Fale com nosso time técnico e receba o dimensionamento correto pro seu caso.


