Sala elétrica e passagem de tubulação: o risco que passa despercebido
Por Equipe Técnica LINK-SEAL

Sala elétrica costuma ser bem cuidada. Acesso controlado, climatização, detecção, painéis organizados, plano de manutenção.
E aí uma tubulação atravessa a parede vinda da casa de bombas ao lado, e ninguém olha para aquele ponto até o dia em que ele importa.
As travessias são o vetor de risco menos vigiado de uma sala elétrica — e concentram dois problemas distintos ao mesmo tempo.
Risco 1: água entrando onde não deveria
Salas elétricas raramente ficam isoladas. Costumam ser vizinhas de casa de bombas, de barrilete, de subsolo, de área técnica com linha hidráulica. E em muitas plantas há tubulação passando literalmente pela parede da sala.
Uma travessia mal vedada nessa parede é caminho direto para água em painel. O prejuízo aqui não é a limpeza depois: é equipamento perdido, é sistema fora do ar e, em subsolo, é risco elétrico com pessoas no ambiente.
Dois agravantes específicos:
- Pressão externa. Em sala de subsolo, o lençol freático empurra água contra a parede de fora para dentro. Uma vedação pensada só para conter fluido do tubo pode não ter sido dimensionada para essa condição.
- Vibração da vizinhança. Sala elétrica adjacente a casa de bombas convive com solicitação cíclica permanente, que é justamente o que faz vedação rígida trincar ao longo do tempo — como explicado no artigo sobre por que grautes e argamassas falham.
Risco 2: propagação de incêndio
O segundo problema é de compartimentação. Sala elétrica é ambiente de risco de incêndio e, quando seus elementos de vedação têm requisito de resistência ao fogo, cada travessia precisa restaurar esse desempenho.
As normas técnicas dos corpos de bombeiros que tratam de compartimentação horizontal e vertical determinam que aberturas destinadas à passagem de instalações elétricas, hidrossanitárias e outras, que permitam comunicação direta entre áreas compartimentadas, sejam seladas de forma a promover vedação total corta-fogo — com solução ensaiada segundo os procedimentos da NBR 6479.
Sala elétrica tem uma característica que agrava o cenário: densidade de travessias. Não é uma passagem, são dezenas — eletrodutos, leitos de cabo, linhas de climatização, tubulação hidráulica. Cada uma é um ponto a verificar, e uma única mal tratada compromete o conjunto.
O conceito completo está no artigo sobre o que é firestop e por que toda passagem precisa de um.
Por que o problema passa despercebido
Três razões se combinam:
A travessia é executada por outra equipe. Quem passa a tubulação hidráulica não é quem responde pela sala elétrica. O furo é aberto, o tubo passa, e a vedação vira responsabilidade de ninguém.
A falha não dá aviso. Vedação de travessia não tem indicador. Ela funciona até o dia do evento — a chuva forte, o vazamento na sala ao lado, o princípio de incêndio.
Não aparece no plano de manutenção. Manutenção de sala elétrica prevê termografia, reaperto de conexões, limpeza de painel. Raramente prevê inspeção das travessias.
O que fazer na prática
Quatro ações resolvem a maior parte dos casos:
- Levante todas as travessias da sala, incluindo as que vêm de ambientes vizinhos e as de instalações elétricas — não só as hidráulicas.
- Verifique se há requisito de resistência ao fogo para os elementos atravessados e qual o TRRF exigido.
- Verifique a direção da solicitação de água. Se a sala é enterrada ou fica abaixo de área molhada, a pressão pode vir de fora.
- Inclua as travessias no plano de inspeção, junto com a rotina de manutenção preditiva que já existe.
Quando a travessia exige estanqueidade à água e resistência ao fogo ao mesmo tempo, os dois requisitos precisam ser especificados juntos, com o composto adequado — no caso de função corta-fogo, o silicone. Se houver dúvida sobre um ponto específico, vale levantar os dados da travessia e submetê-los à análise técnica antes de executar.
Tem uma passagem de tubulação com histórico de infiltração recorrente?
Fale com nosso time técnico e receba o dimensionamento correto pro seu caso.


