Especificação & Dimensionamento29 de setembro de 2026 7 min de leitura

Teste de estanqueidade reprovado: como saber se o vazamento está na passagem de tubulação

Por Equipe Técnica LINK-SEAL

Teste de estanqueidade reprovado: como saber se o vazamento está na passagem de tubulação

O roteiro é sempre parecido. O reservatório foi impermeabilizado, encheu, ficou em observação pelas 72 horas que a ABNT NBR 9575 pede para o ensaio de estanqueidade e, na leitura final, o nível caiu alguns centímetros. Descontada a evaporação, sobrou perda real. O ensaio reprovou e começa a caça ao ponto de saída.

Na maioria das vezes a impermeabilização da laje e das paredes está intacta. O que vazou foi a interface: o lugar onde alguma coisa atravessa a estrutura.

Por que a suspeita começa na travessia

Uma manta ou um sistema cimentício cobre uma superfície contínua. O problema aparece justamente onde essa superfície é interrompida: ralo, insert metálico, passagem de tubulação. São os pontos em que dois materiais com comportamentos diferentes se encontram, e é ali que a continuidade da barreira depende de um detalhe executado à mão.

A passagem de tubulação concentra três agravantes ao mesmo tempo:

  • Interrupção da barreira. A manta precisa ser arrematada em volta do tubo, e o arremate é manual.
  • Movimento. O tubo dilata, vibra e assenta. O concreto, não.
  • Material rígido no vão. Quando a vedação foi feita com graute ou argamassa, o preenchimento endurece e trinca ao primeiro ciclo de movimento. Tratamos a física disso no artigo sobre por que grout e argamassa falham.

Como separar perda de evaporação de perda real

Antes de abrir qualquer coisa, vale confirmar que a perda existe. O procedimento é simples e evita retrabalho:

  1. Marque o nível inicial com precisão, em régua fixa ou com um risco na parede.
  2. Deixe um recipiente aberto com água dentro do reservatório, flutuando ou apoiado, com nível também marcado.
  3. Compare as duas quedas ao fim do período. A queda do recipiente é a evaporação. A diferença entre as duas é a perda do reservatório.

Em reservatório coberto a evaporação costuma ser desprezível. Em estrutura aberta, em dia quente e com vento, ela explica bem mais do que as pessoas imaginam.

O teste do nível que estaciona

Esse é o indício mais revelador e quase ninguém usa.

Deixe o reservatório perder nível sozinho, sem reposição, e acompanhe. Se o nível cair e estacionar numa cota específica, o ponto de saída está naquela altura. A água para de sair quando a lâmina fica abaixo da abertura.

Agora é só medir: em que cota está a tubulação que atravessa a parede? Se a estabilização aconteceu logo abaixo de uma passagem, você achou o vazamento sem quebrar nada.

Quando o nível cai continuamente até esvaziar, a saída está no fundo: laje, junta de concretagem ou a tubulação de descarga.

Confirmando o ponto por fora

Com a cota suspeita identificada, a confirmação é visual, do lado externo da estrutura:

  • Mancha de umidade em forma de leque, com o vértice no tubo, descendo pela parede. É a assinatura clássica da passagem vazando.
  • Eflorescência branca em volta do tubo. Indica percolação antiga, não necessariamente ativa naquele momento.
  • Fissura circular acompanhando o contorno do preenchimento, a poucos centímetros do tubo. É a trinca na interface entre o graute e o concreto, e normalmente dá a volta completa.
  • Oxidação descendo a partir do tubo em passagens de aço. A água passou pelo vão, encontrou o metal e desceu levando o produto de corrosão.

Em passagem enterrada não há parede externa para observar. Nesse caso vale descer o nível até abaixo da cota suspeita, esperar estabilizar por algumas horas e verificar se a perda parou. Se parou, o diagnóstico está fechado.

Corrigir sem refazer tudo

Identificada a passagem como origem, a correção é pontual e não exige reimpermeabilizar o reservatório inteiro.

O que costuma ser feito, e volta a vazar, é remover o graute trincado e aplicar graute novo. O material é o mesmo, o movimento do tubo é o mesmo, e a trinca reaparece no mesmo lugar dentro de alguns meses.

A alternativa é trocar o princípio: em vez de preencher o vão com um material rígido, usar um vedante modular que comprime borracha entre o tubo e a abertura. A vedação passa a ser mecânica e elástica, acompanha o movimento do tubo e não depende de aderência ao concreto.

Para o cronograma da obra isso muda duas coisas importantes:

  • Não há tempo de cura. O reservatório pode voltar a encher logo depois do aperto dos parafusos, com tempo médio de instalação de cerca de 15 minutos por passagem.
  • O ensaio pode ser repetido no mesmo dia. Sem espera de 24 ou 48 horas até o material ganhar resistência.

O que medir antes de pedir o material

Para especificar a vedação da passagem corrigida, três informações bastam:

  • Diâmetro externo do tubo em milímetros. Não o diâmetro nominal, que é designação comercial e varia conforme o material.
  • Diâmetro interno da abertura, depois de remover o preenchimento antigo.
  • Fluido e ambiente, que definem o composto da borracha e o material do parafuso.

Com o diâmetro externo do tubo, a calculadora de dimensionamento já devolve o modelo, a quantidade de elos e o sufixo de parafuso. Se a abertura existente ficou com diâmetro fora do padrão depois da remoção do graute, vale conferir o critério no artigo sobre diâmetro de furo e diâmetro de tubo.

Repetindo o ensaio

Com a passagem refeita, o ensaio volta ao protocolo normal: encher até o nível de projeto, marcar, aguardar as 72 horas e ler de novo, sempre descontando a evaporação pelo recipiente de referência.

A diferença é que, dessa vez, o ponto que falhou não depende mais de cura nem de aderência para se manter estanque.

Tem uma passagem de tubulação com histórico de infiltração recorrente?

Fale com nosso time técnico e receba o dimensionamento correto pro seu caso.