Vedação de passagem de eletroduto e cabo em parede de concreto
Por Equipe Técnica LINK-SEAL

Em obra, a passagem hidráulica costuma ter dono. Alguém especifica, alguém confere. A passagem elétrica entra na conta como detalhe de montagem: abre o furo, passa o eletroduto, enche de espuma expansiva e segue.
O problema é que, do ponto de vista da água, não existe diferença entre um tubo de recalque e um eletroduto. Os dois são um cilindro atravessando uma parede, e o vão em volta deles é o mesmo caminho.
Onde essa passagem realmente importa
Nem toda travessia elétrica é crítica. A conta muda quando a parede separa dois ambientes com pressão ou risco diferentes:
- Subsolo e contenção. O eletroduto entra na garagem vindo do lado de fora, onde existe solo saturado e lençol freático. Qualquer vão é caminho direto para a água sob carga.
- Shaft e prumada vertical. A passagem entre pavimentos deixa passar água de lavagem, odor e, em caso de incêndio, fumaça e chama.
- Sala elétrica e casa de bombas. A água chega onde existe painel energizado. Tratamos desse cenário específico no artigo sobre sala elétrica e passagem de tubulação.
- Entrada de concessionária. O duto de entrada de energia costuma vir de uma caixa enterrada que alaga. A água percorre o interior do duto e sai dentro da edificação.
- Estação de tratamento e indústria. Passagem entre área molhada e área de comando, com lavagem diária de piso em alta pressão.
Por que espuma e silicone não resolvem
Os três materiais mais usados na passagem elétrica têm limitações conhecidas:
Espuma de poliuretano expansiva. Preenche o vão, mas não é estanque sob carga de água e não tem resistência mecânica. Com o tempo, exposta à umidade e à luz, ela degrada, esfarela e deixa o vão aberto outra vez. Também não tem desempenho de corta-fogo, embora seja comum ver espuma comum usada como se tivesse.
Silicone e mastique. Funcionam como arremate superficial, aplicados em filete. Dependem de aderência às duas superfícies, e o eletroduto de PVC é um substrato ruim para isso. À primeira movimentação, o cordão descola de um dos lados.
Argamassa e graute. Mesmo problema de qualquer preenchimento rígido: endurece, o duto se movimenta por dilatação térmica, e a interface trinca.
Há ainda um detalhe que só aparece depois: a água que entra pelo interior do duto. Vedar o vão externo não resolve nada se o eletroduto estiver aberto na outra ponta, dentro de uma caixa que alaga. Nesse caso o duto precisa ser vedado internamente também, em volta dos cabos, ou ter o trecho interno obturado.
O que uma vedação mecânica resolve aqui
O princípio é o mesmo usado em tubulação hidráulica: em vez de preencher o vão, comprimir borracha dentro dele.
Os elos de borracha são montados em volta do eletroduto, o conjunto entra na abertura e o aperto dos parafusos expande a borracha contra as duas superfícies. A vedação passa a ser mecânica e permanente, sem depender de aderência nem de cura.
Para a passagem elétrica isso traz três ganhos práticos:
- Funciona com carga de água. Pressão hidrostática de até 15 metros de coluna d'água, que cobre praticamente qualquer subsolo.
- Absorve movimento. O duto pode dilatar e assentar sem romper a vedação.
- É removível. Quando for preciso puxar cabo novo ou trocar o duto, basta afrouxar os parafusos. Não há quebra de estrutura em volta.
Onde a passagem atravessa uma parede com exigência de resistência ao fogo, o composto de silicone atende à função corta-fogo. O critério de escolha entre compostos está no artigo sobre EPDM, nitrílica ou silicone, e o conceito de selagem corta-fogo, no artigo sobre o que é firestop.
Como dimensionar
A lógica é idêntica à da tubulação hidráulica, com uma observação importante no primeiro item:
1. Diâmetro externo do eletroduto, em milímetros. Aqui mora a pegadinha. A designação de eletroduto em polegadas é referência de bitola, não medida externa. Um eletroduto de aço e um de PVC rígido com a mesma designação têm diâmetros externos diferentes. Meça com paquímetro o duto que realmente vai ser instalado.
2. Diâmetro interno da abertura. Se o furo ainda não existe, ele é definido a partir do diâmetro do duto. Se já existe, meça o que foi executado.
3. Ambiente. Define o composto da borracha e, principalmente, o material do parafuso. Passagem enterrada, em contato com solo úmido, pede inox. O critério está no artigo sobre aço-carbono, S304 ou S316.
Com o diâmetro externo do duto, a calculadora devolve o modelo e a quantidade de elos.
Cabo direto, sem eletroduto
Quando o que atravessa é um cabo nu, de grande seção, o princípio continua valendo: o que se veda é o espaço anular entre o cilindro e a abertura. O que muda é a medida de referência, que passa a ser o diâmetro externo do cabo com a capa.
Para feixes de vários cabos finos, o caminho usual é passar o conjunto por dentro de um duto e vedar o duto. Vedar cabo a cabo em um feixe não dá uma geometria cilíndrica confiável, e vedação mecânica depende de geometria.
O ponto que fecha
Passagem elétrica raramente aparece no memorial com a mesma clareza da hidráulica. Mas é a passagem que leva água para perto de energia, e o custo de um painel alagado não se compara ao de um metro quadrado de piso manchado.
Se a parede separa ambientes com pressão, risco de fogo ou risco elétrico diferentes, a travessia merece ser dimensionada, não improvisada.
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